ISSN 1516-8530
ISSN 2318-0404

Revista Brasileira de Psicoteratia

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Rev. bras. psicoter. 2017; 19(2):59-71



Relato de Caso

A função subjetivante do ritmo em um contexto de atendimento psicanalítico

The subjectfying role of rhythm in a psychoanalytical setting

Paula Gruman Martins1; Vanessa Giaretta2

Resumo

Neste trabalho, as autoras abordam a função subjetivante do ritmo na constituição psíquica a partir da teoria da intersubjetividade, valendo-se, principalmente, das contribuições do psicanalista Victor Guerra. Partimos de um caso atendido no contexto de um tratamento psicoterápico em grupo para crianças, ancorado na teoria psicanalítica. Discute-se o papel do ritmo co-criado com o paciente no processo de subjetivação. Entende-se a trama rítmica como um embalar seguro que regula as experiências. Priorizamos para discussão a face do ritmo que compreende as variações de presença e ausência do objeto. Consideramos que a dimensão delimitante do ritmo tem grande valor na criação dos contornos do self, numa crescente diferenciação eu/não-eu e na construção de um espaço interno para representar. Para que tenham tal efeito subjetivante, contudo, os momentos que denunciam a descontinuidade devem estar inseridos em certa previsibilidade rítmica, em que as ausências podem ser antecipadas e cuja duração varie conforme a capacidade da criança de tolerá-las. Deste modo, ressalta-se que o ritmo só será terapêutico se puder ser co-criado com o paciente, em uma ritmicidade conjunta.

Descritores: Desenvolvimento Infantil; Psicoterapia; Psicanálise.

Abstract

In this paper, the authors approach the subjectfying role rhythm plays in the psychic constitution as understood by the intersubjectivity theory, mainly psychoanalyst Victor Guerra's contributions in this regard. We discuss a clinical case of a child in a group psychoanalytic-based psychotherapy to better analyze the role of a shared rhythmicity in the therapeutic setting. We understand rhythm as a tread that "holds" safely the subject and regulates how they experience different interactions with others. We discuss primarily the variation between presence and absence of the rhythm, since we consider that it plays an important delimiting function in the constituting of internal and external boundaries of the self, helping in the differentiation between self and others and in the ability to represent. To play such subjectfying function, however, the moments that show a discontinuity between self and environment must be introduced in a foreseeable rhythm, with absences that can be anticipated and that only last as long as the child can tolerate them. Finally, we consider that rhythm can be used therapeutically if created with the pacient, in an experience of a shared rhythmicity.

Keywords: Child Development; Psychotherapy; Psychoanalysis.

 

 

O RITMO NA CONSTITUIÇÃO PSÍQUICA E NO SETTING

A constituição psíquica tem suas raízes nos momentos mais arcaicos do desenvolvimento. Sabe-se que as primeiras experiências de encontro entre o bebê e seu ambiente cuidador são fundantes do aparelho psíquico, deixando marcas que podem ser estruturantes. Desde o nascimento, o bebê se encontra em um território intersubjetivo1. A sua constituição psíquica acontece, portanto, no encontro de diversas subjetividades: seus próprios traços inatos, já indicativos da potencialidade de ali surgir um sujeito, encontram as subjetividades de quem lhe confere os principais cuidados.

Nos momentos iniciais da história constitutiva do bebê, a maneira como ocorre o encontro intersubjetivo é de fundamental importância para a forma como o sujeito virá a se constituir. Embora ainda não possamos falar propriamente em uma subjetividade do bebê, mas em um princípio desta, na psicanálise da intersubjetividade parte-se do entendimento de que o bebê é um agente nas trocas que ocorrem2. Neste campo de trocas e interações entre ambiente e bebê, acontecem os primeiros passos da criança em direção ao processo de tornar-se sujeito. Tal processo de subjetivação pode ser entendido, como sugere Guerra3, como a construção de uma perspectiva própria ao sujeito, com o desenvolvimento de uma maneira singular de vivenciar as experiências e de expressá-las através de diferentes recursos, simbólicos ou corporais. Por sua vez, todo esse encontro intersubjetivo está inserido em um determinado contexto social, histórico e cultural.

Entretanto, em alguns casos, algo no encontrar das subjetividades falha e o que se coloca é uma disritmia. As psicopatologias graves da subjetivação encontrariam suas raízes neste desencontro intersubjetivo. A partir dessas premissas, Victor Guerra1 propôs a categoria dos Transtornos de Subjetivação Arcaica para pensar certos quadros clínicos, em que nos deparamos com angústias primitivas de descontinuidade, relacionadas a esse descompasso nas primeiras experiências rítmicas entre o bebê e seu ambiente4.

Nos Transtornos de Subjetivação Arcaica5, encontramos um conjunto de manifestações semelhante ao encontrado em quadros de autismo. Guerra parte da teoria da intersubjetividade para refletir acerca dessas constelações sintomáticas e considera que, frequentemente, tratam-se de crianças que apresentam um importante retraimento interacional, mas que, em algumas circunstâncias, podem engajar-se com o outro. Dessa forma, muitas vezes tratar-se-iam de crianças que não corresponderiam a todos os critérios psiquiátricos para um diagnóstico de autismo, situando-se "na borda". Por exemplo, frequentemente são crianças que podem ocasionalmente ser capazes de compartilhar uma brincadeira e, no momento seguinte, isso se perder.

Mas sobretudo, a proposta do psicanalista é a de uma alternativa ao diagnóstico psiquiátrico de autismo e à compreensão de outras linhas da psicanálise quanto a este quadro, sugerindo pensar essas manifestações pelo viés da perspectiva intersubjetiva do processo de subjetivação. Para Guerra6, os sintomas que aparecem na criança devem ser pensados sempre como um produto do encontro intersubjetivo. Na perspectiva desse psicanalista, nos casos de transtornos de subjetivação, o que se colocou foi, em realidade, um desencontro no cruzamento desses três fatores: os aspectos inatos do bebê, o seu ambiente cuidador e a cultura em que ocorreu esse (des)encontro.

O psicanalista considera que se tratam de bebês que apresentam uma hipersensibilidade desde o princípio7. Porém, nesta concepção de transtorno de subjetivação, diferentemente de um diagnóstico precoce de autismo, as manifestações sintomáticas não seriam compreendidas como circunscritas ao bebê, mas seriam vistas a partir da sua relação com seus cuidadores, inseridos em um determinado contexto. Nessa perspectiva, entende-se que as pequenas crianças que apresentam o quadro do Transtorno de Subjetivação Arcaica viveram inicialmente um importante descompasso com seu ambiente: as subjetividades dos cuidadores e aquilo que poderíamos chamar de "proto-subjetividade" do bebê não conseguiram encontrar um ritmo comum. Acredita-se que pensar essas manifestações de modo a incluir o ambiente subjetivante pode ter um efeito importante no sentido de colaborar na co-criação de desfechos alternativos para o processo de subjetivação dessas crianças.

Primeiramente, desejamos ressaltar que, embora os autores costumem falar dos processos subjetivantes iniciais em relação ao bebê utilizando termos como mãe e função materna - enfatizando, assim, o papel desta nos momentos iniciais da constituição psíquica, ainda que esclareçam que tais funções possam ser realizadas por outros atores - no presente artigo preferimos substituir esses termos por ambiente, ambiente cuidador ou ambiente subjetivante. Consideramos que aquilo que a psicanálise entende como função primordial cuidadora, alfa/continente8 ou de holding9 refere-se a funções subjetivantes do ambiente, que podem ser realizadas por vários agentes além da mãe, como o pai, avós, tios etc. Entendemos ser importante marcar este posicionamento na nossa linguagem escrita, sobretudo nos tempos atuais, em que as configurações familiares apresentam as mais variadas combinações e dinâmicas. Portanto, nesse artigo, frisamos a noção de que todo o ambiente está implicado nesses momentos inaugurais do psiquismo do bebê. O que se compreende como vital é que a função subjetivante seja realizada de forma integradora para o self, seja por uma ou mais pessoas e incluindo, ou não, a mãe.

Dito isso, gostaríamos de abordar as contribuições de Tustin10, que, além de ter estudado em profundidade as manifestações autísticas, abordou o ritmo e sua função no setting terapêutico. Tustin argumenta que, na transferência, a experiência de tratamento pode ser análoga àquela encontrada entre ambiente cuidador e bebê, em que, a partir dos ritmos próprios de cada um, desenvolve-se conjuntamente um ritmo comum à dupla. Quando essa experiência rítmica acontece no setting, ela pode possibilitar que o paciente consiga perceber-se, gradualmente, com maiores níveis de diferenciação psíquica eu-outro.

Tustin elaborou suas considerações acerca desse tema a partir de uma paciente, que fez uso do termo ritmo de segurança para descrever como viveu subjetivamente seu processo na psicoterapia. Tal paciente teria uma estrutura neurótica, mas apresentava o que Tustin chamou de barreiras autistas, isto é, uma parte da mente encapsulada, paralisada e não desenvolvida, que funciona de modo autístico. Por este motivo, a paciente exigia que as sessões ocorressem com uma forma e regularidade quase mecânica. A psicanalista compreendeu haver uma necessidade da analisanda de estar em continuidade com a terapeuta: ser parte do funcionamento do seu corpo, como as batidas do coração. Assim, existiria um ritmo no seu continuar a ser. As quebras nessa continuidade eram sentidas como terroríficas, com a consciência das separações percebida com a horrorizante sensação de ruptura corporal, trazendo raiva, dor e terror - reações extremas para tentar reestabelecer a ilusão de estar permanentemente ligado ao outro. Um certo compasso que ditasse os encontros e as separações era necessário para que houvesse um senso de segurança: um ritmo que embalasse e sustentasse o self em vias de integração.

Assim, para Tustin11, o ritmo seria um movimento ou padrão com sucessão regular de elementos fortes e fracos, em que os opostos são psiquicamente experimentados. Um ritmo compartilhado pela dupla tornaria possível que a percepção do contraste entre as experiências fosse vivenciada em segurança. Conforme Tustin, essa configuração rítmica seria uma criação impalpável, primitiva e complexa. As experiências emocionais iniciais, em uma interação cíclica sintônica, permitem que o indivíduo seja aberto a futuras experiências análogas, que enriquecem a vida psíquica.

No ponto de vista de Guerra12, o ritmo contém alguns elementos sensoriais essenciais no encontro com o outro. Buscar compreender a função do ritmo na vida psíquica implica incluir o valor dos encontros não-verbais na constituição subjetiva3. Inicialmente, esse seria o canal primário de comunicação entre ambiente subjetivante e bebê. A comunicação, inicialmente, se daria em termos de corpos vivos13: o embalar, o holding (em sua dimensão física e psíquica), os sons junto ao corpo do cuidador (batimentos cardíacos, respiração), os cheiros e a sua voz seriam, por exemplo, elementos que pautam essa melodia dos encontros.

Guerra refere dois estilos rítmicos característicos que acompanham os cuidados com um bebê: o ritmo básico e o ritmo interativo14. O ritmo básico pressupõe a regularidade e a repetição, com quebras pouco perceptíveis, típico dos embalos nos momentos de relaxamento e fusão do bebê com a mãe. Já o ritmo interativo é permeado por compassos que mesclam a surpresa e as descontinuidades ao já conhecido, e acontece nos momentos de disposição e atenção do bebê, tornando-o um participante ativo na co-criação desse ritmo.

De acordo com o autor, as primeiras e repetidas experiências inscritivas da continuidade psíquica do bebê, o continuar a ser Winnicottiano15, colaborariam na construção de sua identidade sensorial rítmica. Conforme Guerra3, a função rítmica do ambiente ajudaria o bebê a organizar e coordenar os diferentes fluxos sensoriais a que está submetido, interna e externamente, colaborando para que pudesse se apropriar progressivamente de seu universo de sensações. O sustentar de um compasso se relacionaria à organização temporal da experiência, incluindo o colorido afetivo que permeia cada encontro. O ritmo compartilhado que, desejavelmente, se constrói entre a dupla ambiente-bebê produz assim a marca do encontro, delineia as experiências e possibilita tolerar a ausência, antecipando o retorno do objeto. Um desencontro rítmico inicial inviabilizaria o desenrolar da constituição psíquica, levando a uma subjetivação falida.

Desde os primeiros contatos com o recém-nascido, seus estilos rítmicos próprios podem ir progressivamente sendo percebidos pelo ambiente subjetivante. Assim, o bebê não precisaria se submeter a um tempo imposto, mas participaria na criação de uma espécie de dança com o cuidador. O respeito ao tempo próprio do sujeito seria o que torna possível que o bebê seja também autor dessa melodia comum3. A sensorialidade compartilhada pela dupla, embalada por essa ritmicidade conjunta, seria a base para que circulem e sejam registrados os afetos e as emoções.

Da forma como foi conceitualizado por Tustin e Guerra, o ritmo tem quebras. Tal qual uma música, há intervalos entre uma batida e outra. Nessa cadência, existe a separação, as falhas no cuidado e o hiato em relação ao ambiente subjetivante, em momentos que carregam valor fundamental no processo de subjetivação. O ritmo é um jogo interativo com o outro: presença e ausência; continuidade e descontinuidade; encontro e desencontro; fusão e limite; variações entre diferentes estados emocionais e intensidades. A ritmicidade se configura nesse compasso, sustentando a relação com o outro no espaço do entre, território intersubjetivo. A gradual construção dos limites internos e externos aconteceria a partir deste embalo conjunto, em que as descontinuidades estão ao lado dos momentos de encontro significativo. O alternar desses opostos constitui a dinâmica rítmica subjetivante, que delineia as bordas entre eu e outro e introduz a simbolização na vida psíquica.

Observa-se, deste modo, a importância de estarmos atentos, enquanto terapeutas, ao papel do ritmo na terapia, o que se buscará ilustrar através do caso de Spot. Para preservar o anonimato no caso, o nome do paciente foi trocado por um fictício, assim como dados que pudessem o identificar não foram compartilhados. O nome escolhido foi baseado no personagem Spot do filme de animação "O Bom Dinossauro"16, um menino neandertal que constrói uma amizade com um dinossauro. Spot não fala e tem gestos animalizados. É selvagem, parecendo captar bem a "lógica" da natureza. Vive sozinho e aprende a se virar com seus recursos: fareja os alimentos, sente o perigo e sabe se defender. Por trás de seu comportamento aparentemente hostil, Spot mostra-se uma criança carente de afetos e cuidados, dotado de uma impressionante força vital.
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O RITMO EM UM SETTING TERAPÊUTICO GRUPAL: O CASO SPOT

O tratamento em questão é grupal e compreende a ideia de que a previsibilidade de certos eventos e o manejo adequado, adaptado, consistente e coerente dos terapeutas são fatores que auxiliam pacientes com psicopatologias regressivas a atingirem uma maior integração e engajarem-se socialmente com menor nível de sofrimento. Podemos pensar que nessa modalidade a própria forma como se organiza o tratamento tem um ritmo estruturante. Existem horários para cada atividade e momentos pensados para diferentes necessidades que os pacientes possam apresentar. Ao mesmo tempo, não há uma inflexibilidade nesse planejamento. Assim, o ritmo não é imposto, mas co-criado a partir de um olhar atento às necessidades de cada criança. Essa terapia é realizada por uma equipe multidisciplinar de terapeutas, que atende um grupo de crianças. O tratamento é fundamentado na teoria psicanalítica, especialmente Winnicottiana, com a técnica focada no manejo de situações vividas no aqui-agora. Privilegiam-se atividades que incluam o brincar e estimulem à interação.

Quando Spot chegou para atendimento, tinha 4 anos de idade17 e não havia ainda desenvolvido a fala. Apresentava conduta agressiva e agitada. O pai mostrava-se instável nos limites ao filho: ora o prendia junto ao seu corpo, sem deixá-lo fazer nada, ora o permitia correr solto, exposto a riscos. A mãe por sua vez estabelecia uma interação confusa. Por exemplo, forçando beijos e abraços irritados na tentativa de contê-lo, enquanto ele a agredia fisicamente. Ela inventava histórias fantasiosas tanto como estratégia de mantê-lo perto dela, como para suportar a separação.

Nesta época, o menino ainda usava fraldas para dormir, tomava mamadeira, chupava bico e dormia no quarto dos pais. Embora compreendesse tudo que lhe diziam, não falava, à exceção de uma palavra articulada em alto e bom som: "Não!". Quando contrariado, ficava enfurecido, batia nos outros ou em sua própria cabeça, mordia e jogava-se no chão, esperneando. Não havia o limite entre ele e os outros, tampouco qualquer tolerância para esperar ou ceder minimamente a algum combinado.

Devido às características do caso, pensou-se inicialmente em um diagnóstico na linha do autismo. No entanto, ocorreu ao grupo de terapeutas trabalhar com o entendimento de Guerra1 acerca de certos entraves que podem aparecer no processo de constituição psíquica, os Transtornos de Subjetivação Arcaica1. Essa compreensão dinâmica e intersubjetiva dos sintomas na criança apresenta grande potência terapêutica por preservar o valor ético da esperança em uma subjetividade que ainda não emergiu, mas que pode vir a ser a partir das trocas intersubjetivas com o outro.

O quadro desse transtorno de subjetivação compreende as seguintes manifestações: evitamento relacional; escasso contato emocional e ausência de angústia de separação; presença de angústias arcaicas de descontinuidade; defesas primárias de tipo sensorial; busca de objetos estimulantes (sensações fortes); hipersensibilidade sensorial; autoritmicidade; busca de segurança e confirmação identitária na continuidade sensorial bidimensional18; dificuldade na integração da impulsividade; relativa ausência da ludicidade; organização precária da linguagem; ausência de curiosidade epistemofílica; falta de acesso à terceiridade19, a incapacidade para brincar/estar só, entre outros.

Spot apresentava muitas dessas características, exceto a ausência da angústia de separação e a de curiosidade epistemofílica. De acordo com a mãe, a dificuldade de se separar nunca havia se manifestado até seu primeiro dia de ingresso no contexto do tratamento. Ela ficou muito desconcertada com a dificuldade do filho para se separar dela nesse momento, já que, em sua visão, ele sempre "ia com qualquer um" (sic), o que era visto pela família como algo positivo.

Spot causava ao mesmo tempo encanto e estranhamento. A primeira impressão que gerou na equipe de profissionais foi a de um filhote de dinossauro, pela sua postura e conduta muito primitiva: rugia, berrava, farejava, lambia os alimentos, comia com as mãos e pisava no chão com as pontas dos pés, às vezes com os braços colados ao corpo. Por vezes até comia colocando a cara no prato, sem nem usar as mãos. Parecia que nos deparávamos com um ser não humanizado, alguém que estabelecia uma relação animalizada com o outro20.

Quando queria algo, não havia qualquer tolerância à espera ou adaptação aos combinados. A resposta ao menor dos limites sempre era muito intensa, de bater ou morder as terapeutas. Para se acalmar, às vezes se retirava e ficava em silêncio, escondido embaixo de almofadas. Em outros momentos, batia-se contra as maçanetas dos armários, aparentemente insensível à dor. Corria pela sala sem rumo e sem parar, tropeçando nas cadeiras e se chocando nos objetos, sem parecer se importar com o desconforto que podia sentir.

Lembramos do conceito de imagem inconsciente do corpo21 ao ver esse menino sem bordas para seu si-mesmo. A imagem corporal - síntese viva das experiências emocionais, inter-humanas, vividas através das sensações erógenas - teria sua origem nas trocas acontecidas nas primeiras relações do bebê com seus cuidadores. A ausência de momentos humanizantes com o outro resultaria em dificuldades na construção dessa imagem corporal. Na teoria de Dolto, as barreiras que aos poucos vão se apresentando na relação corpo a corpo com a mãe e os lutos pelo crescimento levariam ao processo de simbolização e estruturação de uma imagem corporal. Tal imagem seria a representação arcaica no psiquismo do entrelaçar das sensações no corpo, das emoções e das palavras na relação com o outro.

Não podíamos deixar de notar que, se Spot parecia um furacão do lado de fora, dentro de si residia um menino sensível, com desejo de se comunicar. Entendemos que a fúria que aparecia em toda situação em que ele se confrontava com a função da Lei e com a barreira ao corpo do outro nos indicava que a introdução da diferença entre Spot e seu ambiente era vivida como um despedaçamento intolerável. Não havia um envelopamento do self, que pudesse fazer o contorno entre Spot e o outro. Suas reações intensas frente às situações em que se colocava algum tipo de fronteira denunciavam que a descontinuidade era sentida como ameaçadora, sugerindo que nos momentos primeiros de sua subjetivação houve um desencontro.

Pensamos que Spot possivelmente nunca pode contar com um ambiente subjetivante que estivesse atento aos seus ritmos internos e que pudesse, com ele, viver uma ritmicidade conjunta. Assim, não havia experiência de limite que fosse tolerável. Alguns dados de sua história apontam que possivelmente as descontinuidades não foram inseridas em um ritmo de cuidados em que houvesse confiabilidade em relação ao ambiente e uma genuína sintonia em relação a esse. Os momentos de introdução à terceiridade aconteciam, em sua história, de forma violenta e abrupta: eram quebras imprevisíveis, traumáticas.

Desde o início, contudo, Spot mostrou-nos, através de seu interesse por músicas e melodias, o papel organizador que o ritmo poderia exercer em sua vida. Ele nos forneceu a pista do rumo indicado para as intervenções, quando se acalmava e sorria enquanto cantávamos ou tocávamos uma canção, e dançava ao ritmo de uma batida intermitente. Entendemos o ritmo de uma forma ampla, desde as marcações temporais de uma música até o cuidado: através do tempo de cada atividade; da toca de olhares atentos entre nós e Spot; da alternância de momentos de encontro intersubjetivo com grande intensidade emocional, com outros de recolhimento por parte de Spot, os quais buscávamos respeitar. Tínhamos essa sensibilidade ao ritmo em mente nas nossas intervenções, pensando em formas de valorizá-lo através de atividades e manejos que permitissem que aparecesse em sua potência constitutiva, proporcionando o estabelecimento de uma pele psíquica, diferenciando eu/outro e começando a criar um espaço para a representação.

A partir dessa compreensão, buscamos proporcionar a Spot uma experiência, em que existisse previsibilidade nos cuidados e na qual os limites e intermitências fossem introduzidos de forma adaptada e coerente com seu tempo subjetivo, colaborando para a integração do self. No manejo, sustentávamos que existissem, necessariamente, os momentos em que a Lei se impunha. Seguíamos as pistas de Spot; e agora vemos que estávamos certas em fazê-lo. A melodia co-criada embalava constantemente momentos de espera, descobertas, surpresas, desencontros e descontinuidade, aspectos sempre tecidos em uma trama de palavras.

Buscaremos ilustrar os aspectos rítmicos construídos com o paciente no setting em eventos que se repetiram no tratamento. Eles estão marcados por cenas em que há uma ação, seguido por uma suspensão no tempo, em que se aguarda uma resposta, envolvendo o outro. Por exemplo, frente a alguns gestos, Spot nos olha, espera a confirmação no nosso olhar ou da nossa voz para testemunhar seu efeito em nós e assegurar a vivacidade do encontro. Às vezes, precisa de um tempo sozinho. Depois de alguns minutos, retorna para o contato. Há certa previsibilidade nesses movimentos. Essas comunicações, muitas vezes não-verbais, são circulares na terapia. Configuram-se numa criação com o paciente de um jogo intersubjetivo que se passa no setting22.

O psicanalista Victor Guerra23 entende que a linguagem nasce desse compartilhar afetivo com o outro. Víamos que Spot desejava muito se comunicar e fazia um esforço para falar conosco e com seus colegas de grupo. Pouco a pouco, seus balbucios viraram palavras. Seu primeiro vocábulo ocorreu durante um dia de atendimento, após uma experiência de passeio de todo grupo de pacientes e terapeutas em um clima de muito prazer e afeto. No retorno para o local do tratamento, sustentado ao colo por uma das terapeutas, Spot apontou para um objeto e pronunciou em tom de alegria e descoberta seu significante diversas vezes. Cabe dizer que antes, mesmo que ainda não fosse claro o que dizia, tentávamos decifrar e dar sentido aos sons que enunciava. Após essa data, em poucos meses, já estava falando frases claras e completas. Pensamos que as marcas deixadas pelas experiências emocionais permitem que ocorra a simbolização e, consequentemente, que a palavra surja, movimentando o aparelho psíquico.

A primeira vez que Spot chamou pelo nome próprio uma das terapeutas (com cerca de um ano de tratamento) foi um momento de surpresa e felicidade. A terapeuta havia faltado alguns dias de trabalho devido a uma viagem. Spot chegou e, assim que a viu, gritou entusiasmado seu nome. Entendemos que ele começava a reconhecer que havia um outro, diferente dele e dos demais à sua volta. Sua surpresa ao ver a terapeuta mostrava que havia percebido sua falta. Nesse mesmo dia, começou a falar o nome das outras terapeutas, o que foi transformado em uma brincadeira, em que se jogava a bola para cada um e falava o nome da pessoa ao ritmo suave de uma música.

Outro avanço importante, evidenciando seu crescimento psicológico, ocorreu certo dia em que Spot fazia de conta que era um cachorrinho embaixo da mesa, nos pés do colega. O colega gritava de medo, pedindo socorro, pois "havia um monstro". Spot tirou a cabeça de baixo da mesa e olhou para o colega. Com muita atenção e preocupação com o amigo, explicou: "não sou um monstro, sou eu, o Spot". Entendemos nesta hora que o menino já percebia bem a diferença entre fantasia e realidade. Ademais, lembramos que o uso pela criança do pronome pessoal eu, como bem sublinha Tustin24, é uma aquisição importante do desenvolvimento, esperada entre os 3 e os 4 anos de idade da criança e indicativa de avanços significativos no processo de tornar-se sujeito25.

Mais recentemente, seguido a momentos em que alguma criança expressa medo dele, Spot se retrai, deprimido. Tem demonstrado preocupação e tristeza quando machuca alguém, tentando buscar maneiras de reparar. Pensamos que muitas vezes Spot se sentiu como uma fera a ser contida bruscamente e que hoje deseja se distanciar dessa identidade animalizada, muitas vezes assustadora para ele próprio.

Atualmente, Spot já fala frases complexas de forma clara. Ele é capaz de narrar uma brincadeira que quer realizar em um momento futuro, mostrando-nos que suporta a espera enquanto usa o recurso da imaginação. Podemos pensar que essa antecipação só foi possível porque existe uma previsibilidade, podendo confiar que o ambiente irá assegurar o momento em que poderá propor a brincadeira. Assim, consegue frear seu impulso, aguardar e viver o presente, enquanto mantém sua ideia contida na mente.

Em relação às regras e combinações, seu respeito aos limites vem se ampliando muito. Procuramos introduzir as interdições de modo sensível. Ficamos atentos às suas vias de comunicação principais (que seguem sendo pré-verbais: sensorial, corporal e contratransferencial) e buscamos colocar as regras de uma maneira flexível e respeitosa para que possa compreender e tolerar.

Uma situação pode servir de exemplo. Há alguns meses, Spot queria permanecer com o objeto de uma atividade que já havia terminado. Estávamos prestes a iniciar outra atividade. Vimos que ele queria muito continuar com o brinquedo, a que estava agarrado com muita tenacidade. Abaixei-me para falar com ele e expliquei de uma forma delicada que já havia terminado o tempo de ficar com o brinquedo e que agora era hora de devolver, mesmo que ele quisesse muito. Aceitou e devolveu o objeto na minha mão. Ao passar por mim, fez um afago em minha cabeça, como muitas vezes faço quando estou realizando um manejo mais especificamente direcionado a ele. Esse evento nos sinalizou que Spot estava podendo internalizar os cuidados, bem como a noção de limites. Tem conseguido ceder, o que relacionamos com parecer entender que estamos disponíveis para ele. Independente da intensidade de sua reação, o ritmo continua.

Notamos um interesse crescente de Spot por brincar com as outras crianças e com os terapeutas. Aos poucos, momentos de significativas trocas intersubjetivas começavam a se tornar mais frequentes e consolidadas. Atualmente, por exemplo, ele gosta de se esconder embaixo das mesas para ser encontrado pelas terapeutas. Ele brinca com os colegas de grupo, fazendo de conta que eles não estão lá: os famosos jogos "como se".

Essas são situações rítmicas, em que há interação e um rico compartilhamento de experiências. Ou seja, quando faz de conta que não está, supõe-se que existe um outro, que pode pensar diferente e, portanto, ser "enganado" na brincadeira. Há um tempo de espera para ser achado. Um lugar fora do campo perceptivo a ocupar, escondido. Quando é encontrado, há surpresa no rosto do outro e ele isso o alegra. Essas são experiências em que há uma variação de intensidade de afetos, há contrastes, intervalo, suspense seguido de um momento de "explosão", euforia e reencontro. Spot nos chama para viver juntos essas brincadeiras, nos convoca para nos surpreender, rir conosco. Sobretudo, o ritmo figurou como essa área intermediária, em que se partilham signos da nossa cultura.

Com isso, torna-se evidente a complexidade das trocas afetivas que tem alcançado no atendimento, as quais tem possibilitado seu nascimento psíquico. Ao lado dessas importantes mudanças que percebíamos na terapia, houve também o avanço de que a família aceitasse que Spot começasse a frequentar a creche, assunto trabalhado longamente com os pais.

É notável sua crescente capacidade de simbolizar e de se comunicar pela linguagem verbal. Guerra26 situa o surgimento da palavra justamente nessa zona do entre a presença e a ausência, entendendo que o trabalho de simbolização é sustentado por essa dialética fundamental. Da alternância entre essas duas faces da moeda, nasceria a linguagem. Victor Guerra defende que, no processo de simbolização, entrelaçam-se quatro fatores: o ritmo, a palavra, o jogo e o investimento do outro. Pensamos que todos esses elementos estiveram presentes no atendimento a esse paciente. Os terapeutas nunca deixaram de apostar no advento do sujeito psíquico, dando sentido às ações e balbucios de Spot, mantendo vivo seu interesse em comunicar-se. Os momentos vividos no grupo sempre foram permeados de um colorido afetivo, em que se fazia presente uma variada gama de emoções. O processo de representar só pode acontecer se, em algum momento, se coconstruiu, com o outro, um espaço de encontro, de interludicidade. Não haveria um trabalho simbolizante da ausência se, antes, não houvesse "um encontro intersubjetivo em presença simbolizante"27.

Na terapia, Spot encontrou um espaço de trocas genuínas, em que havia respeito pelo seu tempo, humanizando suas experiências. Ao mesmo tempo, entendíamos a importância de interromper a ilusão da continuidade, como forma de abrir as experiências à palavra e à terceiridade - elementos fundamentais para o processo de simbolização28.


CONSIDERAÇÕES FINAIS: O PAPEL DO RITMO NA TERAPIA

Buscamos demonstrar que o ritmo pode ser uma ferramenta terapêutica importante nos tratamentos de pacientes regressivos. O atendimento em grupo, com enfoque psicanalítico, atuou como um ambiente subjetivante para Spot, uma vez que ofereceu um ritmo organizador para a constituição do seu psiquismo. Ao mesmo tempo, os elementos rítmicos utilizados no trabalho com Spot - tais como a previsibilidade, a constância do cuidado, a abertura dos terapeutas ao jogo e ao encontro intersubjetivo e o manejo consistente dos limites - também podem e devem ser parte de atendimentos psicoterápicos em um setting individual.

Os momentos de encontro e de desencontro, de alternância de ausências e presenças do objeto cuidador, de maior ou menor intensidade emocional foram elementos a delinear as experiências de Spot. Aos poucos, o ritmo foi regulando a sensação de continuar a ser do paciente. Hoje, os limites não denunciam mais de forma terrorífica a descontinuidade em relação ao outro, tampouco geram no paciente uma vivência de desintegração de seu self. A existência de uma ritmicidade compartilhada foi um elemento vivo a traçar contornos para as experiências do self do paciente, em vias de integração.

É possível pensar que a alteridade foi introduzida nesse ritmo adaptado. A progressiva entrada na linguagem caminhou junto com o, cada vez mais claro, estabelecimento da diferença entre eu e outro, reforçando a ideia de que as descontinuidades estavam exercendo papel estruturante. A criação de um espaço interno, de uma mente com lugar para conter e representar, andou ao lado da construção, por Spot, de bordas para seu próprio self.

Assim, o ritmo foi dando forma para essa imagem de si, anteriormente animalizada e despedaçada, ao mesmo tempo em que era indiferenciada em relação ao outro. O espaço interno, mais consistentemente delineado, conferiu ao paciente liberdade para fantasiar. O símbolo apareceu, movimentando e anunciando o nascimento da vida psíquica.


REFERÊNCIAS

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7. Guerra V. Crianças com suspeitas de autismo: transtornos de estruturação arcaica. In: Sociedade Brasileira de Psicanálise de Porto Alegre; 2015.

8. Bion WR. Elementos de psicanálise. Rio de Janeiro (RJ): Imago; 2004, original 1963.

9. Winnicott DW. A teoria do relacionamento paterno-infantil. Em: Winnicott DW. O ambiente e os processos de maturação. Porto Alegre (RS): Artmed; 1983, original 1960.

10. Tustin F. Barreiras autistas em pacientes neuróticos. Porto Alegre (RS): Artes Médicas; 1990.

11. Idem.

12. Guerra V. El ritmo en la vida psíquica: entre perdida y re-encuentro. 2007. Disponível em: http://www.unesco.org.uy/educacion/fileadmin/educacion/PERDER,%20RE-ENCONTRAR%20-%20Guerrra%20JFIT.pdf, acessado em 11 de setembro de 2016.

13. Winnicott, DW. A experiência mãe-bebê de mutualidade. Em: Winnicott DW. Explorações Psicanalíticas. Porto Alegre (RS): Artmed; 1994, original 1969.

14. Guerra, V. (2015). El ritmo y la ley materna em la subjetivación y en la clínica infantil. In: Revista Uruguaya de Psicoanalísis (120), p. 133-154. Disponível em: http://www.apuruguay.org/apurevista/2010/16887247201512009.pdf, acessado em 23 de outubro de 2016.

15. Winnicott, DW. A teoria do relacionamento paterno-infantil. Em: Winnicott DW. O ambiente e os processos de maturação. Porto Alegre (RS): Artmed; 1983, original 1960.

16. Estúdios Disney. O Bom Dinossauro; 2015.

17. No momento em que se produziu esse artigo ele já contava com um ano e meio de tratamento.

18. A bidimensionalidade foi um conceito proposto por Meltzer em seu "Exploracion del autismo" de 1979, e constitui-se em uma forma de se relacionar e de interagir com o mundo a partir de suas características sensoriais, passíveis de ser captadas em sua superfície. No autismo, a bidimensionalidade é um traço frequente, observável pelos hábitos dessas crianças de se arrastar pelas paredes e passar a mão constantemente em superfícies, por exemplo.

19. Guerra entende a terceiridade como a qualidade triangular das relações. A terceiridade seria na relação mãe-bebê aquilo que anuncia a presença de um terceiro (a cultura, o trabalho, a linguagem, o pai) e sugere a existência da função paterna, entendida como aquilo que denuncia a castração.

20. Dolto F. Quando os pais se separam. Rio de Janeiro (RJ): Jorge Zahar; 1988.

21. Dolto F. A imagem inconsciente do corpo. São Paulo (SP): Editora Perspectiva; 1992, original 1984.

22. Stern D. Intersubjetividade. Em: Person E; Cooper AM; Gabbard G. Compêndio de Psicanálise. Porto Alegre (RS): Artmed; 2007.

23. Guerra, V. Palavra, ritmo e jogo: fios que dançam no processo de simbolização. Rev de Psicanálise. 2013; XX (3).

24. Tustin F. Barreiras autistas em pacientes neuróticos. Porto Alegre (RS): Artes Médicas; 1990.

25. Jerusalinsky AN. Considerações acerca da Avaliação Psicanalítica de Crianças de Três Anos - AP3. Em: Kupfer MC & Lerner R. Psicanálise com crianças: clínica e pesquisa. São Paulo (SP): Escuta; 2008.

26. Guerra, V. Palavra, ritmo e jogo: fios que dançam no processo de simbolização. Rev de Psicanálise. 2013; XX (3).

27. Idem.

28. Guerra, V. Palavra, ritmo e jogo: fios que dançam no processo de simbolização. Rev de Psicanálise. 2013; XX (3).










1. Psicóloga, graduada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Mestranda em "Psicanálise e Pesquisas Interdisplinares" da Universidade VII - Paris Diderot. - Paris - França
2. Psicóloga, especialista em psicoterapia de orientação analítica da infância e adolescência. Mestranda em "Psicanálise: clínica e cultura" pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. - (Psicóloga clínica.) - Porto Alegre - RS - Brasil

Correspondência
Vanessa Giaretta
General Neto, 71/502, Bairro Floresta
90560-020 Porto Alegre, RS, Brasil
paulagruman@gmail.com | gianessa84@yahoo.com.br

Submetido em: 02/08/2017
Aceito em: 02/10/2017

 

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